quinta-feira, 30 de outubro de 2025

O Avivamento de Pensacola

O Avivamento de Pensacola, também conhecido como Avivamento de Brownsville, foi um movimento religioso renovado (pentecostal, carismático) que começou em 18 de junho de 1995, na igreja Brownsville Assembly of God em Pensacola, Flórida. O evento durou mais de cinco anos e atraiu cerca de 4,5 milhões de visitantes, caracterizando-se por encontros espirituais intensos, com forte ênfase em arrependimento e conversão. 

·         Início e duração: 

O movimento começou em um culto no Dia dos Pais em 1995 e se estendeu por mais de cinco anos.

·         Participação: 

Atraiu milhões de pessoas, vindas de diversas partes do mundo.

·         Características: 

As principais características incluíam a manifestação de profundos arrependimentos e conversões à fé cristã, com um grande número de pessoas buscando o avivamento.

·         Impacto: 

Teve um impacto significativo no movimento renovado, com o número de visitantes ultrapassando 4,5 milhões ao longo do período.

 

Avivamento de Pensacola, também conhecido como o Derramamento de Brownsville, foi um notável movimento de avivamento cristão renovado que ocorreu na Assembleia de Deus de Brownsville, em Pensacola, Flórida, nos Estados Unidos. 

Início e Duração:

·         Iniciou-se em 18 de junho de 1995, no Dia dos Pais, durante um culto dominical.

·         O avivamento teve a duração de cerca de cinco anos, terminando por volta do ano 2000. 

Principais Características:

·         Forte Presença do Espírito Santo: Caracterizou-se por uma manifestação intensa da presença e do poder de Deus, com ênfase em curas, libertações e manifestações dos dons espirituais.

·         Arrependimento e Santidade: Um clamor por avivamento nasceu de um reconhecimento de necessidade espiritual, levando a um profundo arrependimento, quebrantamento e uma busca por santidade entre os participantes.

·         Pregações Ungidas: As mensagens, frequentemente ministradas pelo evangelista Steve Hill, eram consideradas ungidas e impactantes, atraindo milhares de pessoas.

·         Grande Afluxo de Pessoas: A igreja recebia até 20.000 pessoas por noite, vindas de todo o mundo, o que exigiu, inclusive, a construção de um aeroporto local para acomodar a chegada de jatos particulares.

·         Transformação de Vidas: Houve relatos de muitas conversões (mais de 150.000 pessoas se converteram durante o período), incluindo pessoas com passados difíceis, como um motociclista (que era usuário de drogas) mencionado em relatos da época. 

Liderança:

·         Os principais líderes foram o pastor sênior da igreja, John Kilpatrick, e o evangelista Steve Hill, que pregou no culto inaugural do avivamento. 

Legado e Controvérsia:

·         O avivamento teve um impacto mundial significativo no movimento renovado (pentecostal, carismático). No entanto, segundo alguns relatos, a sua visibilidade diminuiu após seu término devido a controvérsias e supostos excessos, o que, para alguns, ofuscou o impacto espiritual inicial. 

Em essência, o Avivamento de Pensacola foi um período de intensa renovação espiritual e evangelismo que marcou a história da renovação espiritual cristã moderna.

Roberto Avelar da Silva,
Jornalista libertário - Matrícula no MTE: 0038029/RJ

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Comunhão Anglicana Renovada (CAR)

Comunhão Anglicana Renovada (CAR) existe há 12 anos (desde 1º de setembro de 2013), criada pelo Bispo Marcos Pereira de Mattos (de saudosa memória), dentre outros Bispos, Pastores e Padres, como um movimento dentro da tradição anglicana livre, independente, que busca combinar a liturgia e a estrutura históricas com uma vivência espiritual mais contemporânea e carismática. É importante notar que este movimento não é a mesma coisa que a Igreja Anglicana tradicional, nem como a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), e nem como o Movimento Anglicano Continuante, que surgiram de divergências com o modernismo ou conservadorismo dentro da comunhão anglicana inglesa.

O fato é que nenhum grupo e/ou instituição detém a patente do ethos (jeito de ser) anglicano. Se por ventura, algum ou alguém não considere o outro anglicano, isto não é um problema de quem não é considerado e sim de quem não considera. E ESTÁ TUDO BEM, ISTO NÃO MUDA ABSOLUTAMENTE NADA!!!

Contexto e origem

O movimento "renovado" ou “carismático” surgiu em muitas denominações cristãs, incluindo a anglicana, no século XX. Os anglicanos renovados se inspiram em manifestações espirituais realmente bíblicas, como a busca pelo batismo no Espírito Santo, dons espirituais e uma maior espontaneidade no louvor. No Brasil, o anglicanismo, em sua forma tradicional, foi articulado oficialmente em 1890, mas as vertentes renovadas surgiram como desdobramento desses movimentos globais. A nossa Comunhão por exemplo, foi organizada no dia 1º de Setembro do ano de 2013.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

·        Ênfase carismática: As igrejas renovadas dão grande destaque à experiência pessoal com o Espírito Santo, incluindo manifestações como a glossolalia (falar em línguas), curas e profecias.

·    Adoração contemporânea: Embora mantenham a estrutura litúrgica anglicana (comunhão, ritos, etc...), as celebrações são frequentemente mais dinâmicas, com músicas de louvor modernas e uma atmosfera amorosa e mais informal.

·  Tradição versus renovação: A "via média" anglicana, que busca um caminho entre o catolicismo romano e o protestantismo europeu, é reinterpretada. E nesses grupos, a herança católica de estrutura e liturgia coexiste com a ênfase evangélica e carismática na pregação e no "novo nascimento".

·      Estrutura e autonomia: Assim como na Comunhão Anglicana mais ampla (da Inglaterra), a governança pode variar. Existem congregações renovadas autônomas e outras ligadas a sínodos ou dioceses maiores. Um exemplo é a Igreja Episcopal Anglicana das Nações (IEAN), que se define como uma "Missão Anglicana na Baixada Fluminense" e é independente de outras igrejas anglicanas brasileiras e estrangeiras. 

      Diferenças e divisões

As igrejas renovadas frequentemente surgiram como reação a tensões internas na Comunhão Anglicana, como as que ocorreram no Brasil em 2005, quando a IEAB passou a permitir a ordenação de sacerdotes em relações homoafetivas. Esse tipo de conflito levou à saída de algumas comunidades, que se alinharam com outras vertentes conservadoras ou formaram novos agrupamentos. 

Em essência, a Comunhão Anglicana Renovada representa uma vertente mais moderna e vibrante do anglicanismo. Ela combina a rica história, liturgia e hierarquia da tradição anglicana com a espiritualidade dinâmica e contemporânea do movimento carismático, oferecendo uma experiência de fé que atrai aqueles que buscam uma fusão entre o tradicional e o renovado.

AINDA SOBRE A COMUNHÃO ANGLICANA RENOVADA

Comunhão Anglicana Renovada (em inglês, Renewed Anglican Communion), sigla RAC, é uma das várias comunhões de essência (ethos) anglicana, denominadas de continuantes carismáticos, não ligadas oficialmente à Sé de Cantuária (em inglês, Canterbury),

História e abrangência

Comunhão Anglicana Renovada surgiu no dia 1º de Setembro do ano de 2013 pela iniciativa do Bispo anglicano carioca (baixada fluminense) Dom Marcos Pereira de Mattos.

A sede da Comunhão Anglicana Renovada está na Baixada Fluminense, onde possui a sua Cátedra, e atualmente está presente em alguns estados do Brasil, na África e pretende-se estar em outros países.

+ Diocese Anglicana da Baixada Fluminense, RJ, Brazil

+ Diocese Anglicana de São Pedro da Aldeia, RJ, Brazil

+ Província Brasileira de Confissão Anglicana, PBCA, RJ, Brazil

+ Diocese Anglicana Católica do Brasil, Esmeradas, MG, Brazil

+ Diocese do Rio Pungue Moçambique, África

Até o presente momento, as jurisdições que representam a Comunhão Anglicana Renovada, são:

* Igreja Episcopal Anglicana das Nações (IEAN),

* Igreja Anglicana em São Pedro da Aldeia (RJ),

* Igreja Episcopal do Evangelho Pleno (IEEP),

* Igreja Episcopal Filhos da Promessa (IEFIP),

* Igreja Anglicana de São Miguel e Todos os Anjos (Moçambique),

* Missão Anglicana Sagrada Família, Recife. PE,

* Paróquia São Cosme e São Damião / Instituto dos Frades da Mater Dei (Jardinópolis, SP) 

Características

A comunhão, por ser continuante carismática, possui uma característica eclesial mais conservadora, porém, renovada, se comparada à Comunhão Anglicana de Cantuária, a maior e mais antiga das comunhões anglicanas existentes, porém, mantém as várias vertentes do Anglicanismo histórico: a evangélica, a anglo-católica, a moderada e a carismática, naturalmente.

De igual maneira que as igrejas anglicanas pertencentes à Comunhão Anglicana de Cantuária, as Igrejas (ou Províncias Eclesiásticas) ligadas à Comunhão Anglicana Renovada intitulam-se como católicas, evangélicas e reformadas.

A Fé, o Ordenamento e a Prática Litúrgica estão expressos no Livro de Oração Comum e no Ordinal Anglicano, nas versões pós 1662 (época da Restauração Inglesa após o governo puritano de Oliver Cromwell), e mais resumidamente no Quadrilátero de Lambeth de 1888. Este documento define os elementos essenciais da Fé e da Ordem Anglicana para a busca da unidade cristã, quais sejam:

1.    As Escrituras do Antigo e Novo Testamentos como a Palavra revelada de Deus;

2.    O Credo Niceno e Apostólico como a declaração suficiente da fé cristã.

3.    Os sacramentos do Batismo e da Eucaristia celebrados com as palavras e os elementos usados por Jesus Cristo na última ceia; e

4.    O Episcopado Histórico, como símbolo da unidade Cristã.

CONCLUSÃO

A diferença substancial da Comunhão Anglicana Renovada em relação à Comunhão Anglicana de Cantuária vem das questões surgidas no interior desta última quanto à questão do liberalismo versus ortodoxia e do modernismo versus Tradição, a partir do ano 2025. Assim, historicamente, decorre do fracionamento havido no Anglicanismo, fenômeno este existente em todos os ramos do cristianismo provenientes da Reforma Protestante do séulo XVI.

POR: 
Roberto Avelar, 
Jornalista - Matrícula no MTE: 0038029/RJ

quarta-feira, 23 de julho de 2025

O Anarquismo e Suas Definições

SERÁ LANÇADO NA PLATAFORMA Hotmart ainda essa semana!!!

Por aqui poderá ser adquirido por essa contribuição simbólica descrita nesse card. Na Hotmart será o valor cheio, normal!

Este livro oferece uma análise abrangente e imparcial do anarquismo, uma filosofia política que desafia as estruturas hierárquicas e formas de dominação em todas as esferas da vida. A obra explora como o anarquismo se opõe a sistemas estabelecidos, incluindo governos, corporações e instituições religiosas, bem como a formas de opressão social como racismo e discriminação. O texto examina criticamente as ideias anarquistas sobre organização social, economia e liberdade individual, sem romantizar ou demonizar a ideologia. Destinado a leitores de mente aberta e interessados em ampliar seus horizontes políticos, o livro proporciona uma base sólida para compreender o pensamento anarquista, suas origens históricas e sua relevância contemporânea. Ideal para estudantes, acadêmicos e qualquer pessoa curiosa sobre alternativas políticas, esta obra promove um diálogo informado sobre os desafios e possibilidades de uma sociedade sem hierarquias impostas.

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Desfazendo Tabus Sobre Vestes Litúrgicas

SOBRE HÁBITOS E MONGES: 

Desfazendo tabus sobre vestes litúrgicas.

Pr. Francisco Belvedere Neto
*
É verdade que "o hábito não faz o monge". Pessoas de Deus não são reconhecidas pela sua aparência exterior, mas pelos frutos de sua vida. Mas... Quando iniciei meu ministério pastoral, sendo nomeado pastor acadêmico no ultimo ano de Teologia, lembro-me que uma irmã na igreja onde eu servia, veio me dizer que eu não deveria mais usar camisa clerical, pois aquilo era “roupa de padre” e ela não queria que visitantes viessem à igreja e pensassem que tinha um “padre” no altar. Meus esforços para explicar àquela irmã que a camisa clerical era uma veste de origem protestante e que fazia parte da nossa tradição denominacional, mesmo não sendo de uso obrigatório foi em vão! O preconceito falava mais alto. O curioso, é que na mesma igreja, tinha um irmão que de vez em quando ia ministrar louvor fazendo uso de um kipá! E ninguém, absolutamente ninguém achava ruim. Eu era olhado torto por fazer uso de uma veste identificada com a tradição cristã, e aquele irmão amado que fazia uso de algo identificado com a religião judaica não sofria qualquer censura.

 "Reverendo" Charlito, além de "Reverendo", é co-editor do Genizah.
Há no meio evangélico brasileiro um preconceito fortíssimo contra tudo que possa lembrar a igreja católica romana, em especial, na questão das vestes e outros símbolos litúrgicos. O mesmo não ocorre com vestes, símbolos e objetos ligados ao judaísmo. Isso é fruto da idolatria a Israel que tem sido estimulada nos arraiais gospels tupiniquins. Já ouvi gente dizer que em Israel se sente a presença de Deus de uma forma diferenciada do que ocorre em outros lugares. É muita incoerência e falta de senso critico dos crentes brasileiros.

Nem mesmo no Genizah se está livre desta tolice. A minha motivação para escrever este artigo foi, justamente, em função de um post publicado neste site, com um vídeo onde se via o Rev. Carlos Moreira, pregando na Igreja Episcopal Carismática. Nos comentários, algumas pessoas demostraram nítido preconceito e agressividade ao verem as vestes do ministro, que logo julgaram ser um “padre”. Vamos então a alguns fatos desconhecidos de grande parte dos evangélicos brasileiros.

UM POUCO DE HISTÓRIA
Segunda Igreja Presbiteriana de Chicago
Muita gente pensa que ser protestante (evangélico) significa ser anti-católico. Ou seja, “tudo que o católico faz, eu tenho que fazer diferente!” Mas acontece, que a reforma protestante tinha como alvo a doutrina e não a liturgia da igreja, exceto naquilo que fosse considerado anti-bíblico. Quando Andreas Karlstadt, na ausência de Lutero incentivou a destruição de imagens em Wittenberg, Lutero censurou essa atitude a qual considerou vandalismo contra obras de arte. Ou seja, mesmo Lutero teologicamente destruindo o alicerce do culto às imagens e relíquias, ele não deixou de reconhecer que algo de valor poderia ser encontrado ali. Eram obras de arte e embelezavam os templos. Até hoje muitas igreja protestantes na Europa e EUA possuem imagens, vitrais ou ícones retratando pessoas ou passagens bíblicas, mas apenas com função estética.

No século XVII, calvinistas ingleses desejavam purificar a Igreja da Inglaterra de todo resquício de catolicismo romano, assim como, de toda e qualquer prática litúrgica que não fosse claramente ensinada ou ordenada nas Escrituras. Práticas como, por exemplo, o sinal da cruz no batismo e o ajoelhar-se para receber a Ceia do Senhor. Esses calvinistas ficaram conhecidos como puritanos. Um fato marcante desse período, foi a chamada controvérsia das vestimentas. Os puritanos rejeitaram que os ministros fizessem uso de paramentos elaborados, em vez disso deveriam trajar a toga preta, que era a veste dos docentes e magistrados. Assim o pastor em vez de ser identificado com a figura do sacerdote, estaria identificado com a figura de um docente, por este ser o responsável pelo ensino das Escrituras na igreja.

Puritanos
Nos primeiros séculos do protestantismo, com exceção dos partidários da reforma radical ou dos puritanos, nunca houve um movimento para abolir tradições que não fossem consideradas explicitamente anti-bíblicas, mesmo que fossem extra-bíblicas. Com o passar dos anos, em algumas regiões e mais especificamente algumas denominações, permaneceram muitas práticas que se assemelham ou são idênticas às praticas católico-romanas.

Em meados do século XVIII os primeiros missionários protestantes começaram a chegar ao Brasil. Porém pelo fato do Catolicismo Romano ser a religião oficial do império, inúmeras restrições foram impostas aos protestantes. As igrejas (templos), por exemplo, não poderiam ter forma de templo cristão. Esse ambiente hostil aos protestantes, fez nascer um protestantismo fortemente anti-católico e avesso a qualquer tradição ou prática que lembre o catolicismo romano.

Vestes clericais: O que são e quais são?
Não vou enumerar todas as vestes litúrgicas da tradição cristã, mas apenas as mais utilizadas no meio evangélico, inclusive no Brasil. As vestes litúrgicas, mais do que cumprir uma função estética no culto, tem a função de destacar a função exercida pelo ministro. Simbolicamente quando o pastor está trajando tais vestes, o homem desaparece e a sua função é ressaltada.

Colarinho Clerical
Simboliza o ministério da Palavra, já que a garganta é o local de onde provém a voz, instrumento de proclamação da Palavra de Deus. O modelo mais conhecido é uma tira branca removível, que se encaixa na parte frontal do colarinho de uma camisa ou colete. Existem ainda outros modelos, como por exemplo, o colarinho inteiriço que dá a volta no pescoço dando a impressão de uma coleira branca sobre uma camisa preta ou de outra cor. A esse modelo atribui-se também o significado do ministro como escravo de Cristo, pois o escravo comumente utilizava uma cadeia no pescoço.

O que para muita gente é marca registrada dos sacerdotes católico-romanos, na verdade foi uma criação protestante. O Rev. Donald McLeod, ministro da Igreja da Escócia (presbiteriana) criou no século XIX a camisa clerical (que primeiramente era um colete) para ser mais prático que a sotaina (batina) no uso do dia a dia do ministro. A Igreja Católica Romana só passou a adotar esse traje no Concílio Vaticano II.

Toga modelo calvinista
No Brasil, as denominações que mais fazem uso desse traje são as Igrejas: Anglicana, Luterana, Metodista, Presbiteriana, Quadrangular, Projeto Vida Nova, Cristã Nova Vida, e em menor grau alguns pastores batistas, nazarenos, congregacionais e raramente alguns pastores da Assembleia de Deus. Já vi até mesmo pastores da Igreja Adventista do Sétimo dia usando colarinho clerical. 
Nos EUA e Europa o uso é muito mais amplo. O traje clergyman, como é conhecido o conjunto terno e camisa clerical, não é propriamente uma veste com função litúrgica, mas uma espécie de “uniforme de trabalho”, já que foi idealizado para o uso no dia a dia do pastor facilitando sua identificação no meio do povo.

Toga (Talar)
Originalmente uma veste acadêmica que foi introduzida no protestantismo pelos calvinistas identificando a função do pastor com a função de um professor das Escrituras e sinalizando seu preparo teológico para tal. Originalmente as togas eram sempre pretas. Hoje, já encontramos togas brancas, azuis, cinzas, etc. A toga perdeu bastante seu simbolismo e ganhou uma conotação mais estética e litúrgica. Nos EUA os mais simpáticos ao uso da toga são as igrejas de comunidades afro-americanas. Mas, é largamente utilizada por diversas denominações históricas e até algumas pentecostais. No Brasil algumas igrejas presbiterianas e boa parte das luteranas fazem uso frequente. Em outras denominações históricas, os pastores preferem reservar seu uso para solenidades como casamentos, formaturas, ordenações, etc.

Alba ou Alva
Alba (ou alva)
A alba é uma túnica branca. Esta é a veste litúrgica mais comum da tradição cristã. É na verdade a roupa de todos os batizados. Pois tradicionalmente os cristãos quando eram batizados trajavam túnicas brancas. Qualquer cristão que esteja atuando na liturgia pode utiliza-la. É comum o uso de um cordão amarrado na cintura chamado cíngulo. A alba é mais utilizada por anglicanos e luteranos. Católicos também a usam, naturalmente.

Estola
A estola uma faixa colocada sobre os ombros simbolizando a ordenação. Sua origem remonta ao império romano. Os governadores romanos a utilizavam como símbolo de seu serviço prestado à sociedade. A estola simboliza o ministério ordenado, simboliza que o pastor está a serviço de Cristo e de sua igreja e que sua autoridade vem de Cristo. As cores variam de acordo com a ocasião e o tempo litúrgico. No Brasil de vez em quando vemos alguns pastores de igrejas históricas e até mesmo uns poucos pentecostais fazendo uso da estola, geralmente em eventos especiais, mas não é tão comum.

Estola. Cores diferenciam odenação.
Conclusão
Provavelmente muitos dos que estão lendo esse artigo estão questionando onde está o embasamento bíblico para o uso de vestes litúrgicas por parte dos ministros cristãos. Bem, o Antigo Testamento prescrevia o uso de vestes sagradas para os sacerdotes (Ex.28.4). Até mesmo Davi não sendo sacerdote usou uma “estola sacerdotal” (a estola dos levitas era diferente da estola romana a qual o cristianismo adotou como vestimenta litúrgica) e dançou perante o Senhor (2. Sm.6.14).

Alguns argumentarão que isso se tratava do Antigo Testamento e que não encontramos no Novo Testamento qualquer ordenança quanto isso. E de fato, não encontramos mesmo. Isso é apenas uma questão de opção de cada igreja e de cada pastor. Da mesma forma que não temos uma ordem nas Escrituras para fazer uso desse tipo de vestimentas, não temos uma proibição. Meu objetivo com esse artigo não é fazer uma apologia ao uso de paramentos, mas fornecer um pouco mais de informação aos evangélicos brasileiros que em sua grande maioria desconhece algumas de nossas tradições.

FONTE: www.genizahvirtual.com

Secos & Molhados

                                - DISCOGRAFIA NO LINK - 

Secos & Molhados foi um grupo vocal brasileiro da década de 1970 cuja formação clássica consistia de João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Ney Matogrosso (vocais) e Gérson Conrad (vocais e violão). João havia criado o nome da banda sozinho em 1970 até juntar-se com as diferentes formações nos anos seguintes e prosseguir igualmente sozinho com o álbum Memória Velha (2000).

No começo, as apresentações ousadas, acrescidas de um figurino e uma maquiagem extravagantes, fizeram a banda ganhar imensa notoriedade e reconhecimento, sobretudo por canções como "O Vira", "Sangue Latino", "Assim Assado", "Rosa de Hiroshima", que misturam danças e canções do folclore português como o Vira com críticas à Ditadura Militar e a poesia de Cassiano Ricardo, Vinícius de Moraes, Oswald de Andrade, Fernando Pessoa, e João Apolinário, pai de João Ricardo, com um rock pesado inédito no país, o que a fez se tornar um dos maiores fenômenos musicais do Brasil da época e um dos mais aclamados pela crítica nos dias de hoje.

Seu álbum de estréia, Secos e Molhados I (1973), foi possível graças à tais performances que despertaram interesse nas gravadoras, e projetou o grupo no cenário nacional, vendendo mais de 700 mil cópias no país. Desentendimentos financeiros fizeram essa formação se desintegrar em 1974, ano do Secos e Molhados II, embora João Ricardo tenha prosseguido com a marca em Secos & Molhados III (1978), Secos e Molhados IV (1980), A Volta do Gato Preto (1988), Teatro? (1999) e Memória Velha (2000), enquanto Gérson continuou a tocar sozinho. Do grupo, Ney Matogrosso é o mais bem-sucedido em sua carreira solo, e continua ativo desde Água do Céu Pássaro (1975).

Os Secos & Molhados estão inscritos em uma categoria privilegiada entre as bandas e músicos que levaram o Brasil da bossa nova à Tropicália e então para o rock brasileiro, um estilo que só floresceu expressivamente nos anos 80. Seus dois álbuns de estréia incorporaram elementos novos à MPB, que vai desde a poesia e o glam rock ao rock progressivo, servindo como fundamental referência para uma geração de bandas underground que não aceitavam a MPB como expressão. O grupo continua a ganhar atenção das novas gerações: em 2007, a Rolling Stone Brasil posicionou o primeiro LP em quinto lugar na sua lista dos 100 maiores discos da música brasileira e em 2008 a Los 250: Essential Albums of All Time Latin Alternative - Rock Iberoamericano o colocou na 97ª posição.

História
PRIMEIROS ANOS
A formação inicial do grupo era composta por: João Ricardo (violão de doze cordas e gaita), Fred (bongô) e Antônio Carlos, ou Pitoco, como é mais conhecido. O som completamente diferente à época, fez com que o Kurtisso Negro de propriedade de Peter Thomas, Oswaldo Spiritus e Luiz Antonio Machado no bairro do Bixiga, em São Paulo, local onde o grupo se apresentava, fosse visitado por muitas pessoas, interessadas em conhecer o grupo. Entre os “curiosos” estava a cantora e compositora Luhli, com quem João Ricardo compôs alguns dos maiores sucessos do grupo ("O Vira" e "Fala").

Fred e Pitoco, em julho de 1971, resolvem seguir carreira solo e João Ricardo sai à procura de um vocalista. Por indicação de Heloísa Orosco Borges da Fonseca (Luhli), conhece Ney Matogrosso, que muda-se do Rio de Janeiro para São Paulo. Depois de alguns meses, Gerson Conrad, vizinho de João Ricardo, é incorporado ao grupo. O Secos & Molhados começa a ensaiar e depois de um ano se apresenta no teatro do Meio, do Ruth Escobar, que virou um misto de bar-restaurante chamado "Casa de Badalação e Tédio".

FORMAÇÃO CLÁSSICA (1973-1974)
No dia 23 de maio de 1973, o grupo entra no estúdio "Prova" para gravar – em sessões de seis horas ao dia, por quinze dias, em quatro canais – seu primeiro disco, que vendeu mais de 300 mil cópias em apenas dois meses, atingindo um milhão de cópias em pouco tempo.

Os Secos & Molhados se tornaram um dos maiores fenômenos da música popular brasileira, batendo todos os recordes de vendagens de discos e público. O disco era formado por treze canções que ao ver da crítica, parecem atuais até os dias de hoje. As canções mais executadas foram "Sangue Latino", "O Vira", e "Rosa de Hiroshima". O disco também destaca inúmeras críticas a ditadura militar que estava implantada no Brasil, em canções como o blues alternativo "Primavera nos Dentes" e o rock progressivo "Assim Assado" – esta de forma mais explícita em versos que personificam uma disputa entre socialismo e capitalismo. Até mesmo a capa do disco foi eleita pela Folha de São Paulo como a melhor de todos os tempos de discos brasileiros.

O sucesso do grupo atraiu a atenção da mídia, que convidou-os para várias participações na televisão. As mais relevantes foram os especiais do programa Fantástico, da Rede Globo. Sempre apareciam com maquiagens inusitadas, roupas diferentes sendo uma das primeiras e poucas bandas brasileiras a aderirem ao glam rock.

Em fevereiro de 1974, fizeram um concerto no Maracanãzinho que bateu todos os índices de público jamais visto no Brasil - enquanto o estádio comportava 30 mil pessoas, outras 90 mil ficaram do lado de fora. Também em 1974 o grupo sai em turnê internacional, que segundo Ney Matogrosso, gerou oportunidades de criar uma carreira internacional sólida.

Em agosto do mesmo ano, é lançado o segundo disco de estúdio da banda, que tinha em destaque "Flores Astrais", único hit do disco. O lançamento do disco foi pouco antes do fim da formação clássica da banda, que ocorreu por brigas internas entre os membros. Talvez por este motivo o segundo álbum – que veio sem título, e com uma capa preta – não tenha feito tanto sucesso comercial como o primeiro.

PERÍODO DE INATIVIDADE (1974-1977)
Após o fim do grupo Secos & Molhados, os três membros seguiram em carreira solo. Ney Matogrosso lançou no ano seguinte, em 1975, seu primeiro disco solo com o nome de "Água do Céu-Pássaro" (recheado de experimentalismos musicais) e com o sucesso "América do Sul". João Ricardo lançou também em 1975 seu disco homônimo, mais conhecido por Disco Rosa/Pink Record. Gerson Conrad juntou-se a Zezé Motta e lançou um disco também em 1975.

João Ricardo adquiriu os direitos autorais sob o nome Secos & Molhados, após algumas brigas na justiça, e saiu a procura de novos músicos para que a banda tivesse novas formações.

OUTRAS FORMAÇÕES
A primeira formação após o fim do grupo em 1974 surgiu em maio de 1978, João Ricardo lançaou o terceiro disco dos Secos & Molhados com Lili Rodrigues, Wander Taffo, Gel Fernandes e João Ascensão. O terceiro disco foi lançado, e mais um sucesso do grupo – o que seria o último de reconhecimento nacional, e único fora da formação original – "Que Fim Levaram Todas as Flores?", uma das canções mais executada no Brasil naquele ano, o que trouxe o novo grupo de João Ricardo às apresentações televisivas.

No mês de Agosto de 1980, junto com os irmãos Lempé – César e Roberto – o Secos e Molhados lançaram o quarto disco, que não teve sucesso comercial. A quinta formação do grupo nasceu no dia 30 de junho de 1987, com o enigmático Totô Braxil, em um concerto no Palace, em São Paulo. Em maio de 1988 saiu o álbum "A Volta do Gato Preto", que foi o último da década.

Simplesmente sozinho, em 1999, João Ricardo lançou "Teatro?" mostrando definitivamente a marca do criador dos Secos e Molhados.

De acordo com o site oficial da banda, João retomou os trabalhos do grupo em junho de 2011 com a entrada de um novo integrante, Daniel Iasbeck. A dupla lançou em novembro do mesmo ano o álbum autobiográfico intitulado "Chato-boy". Em 2012 iniciaram nova turnê.

ORIGEM DO NOME
O nome foi criado por João Ricardo, quando, nas proximidades de Ubatuba, em um dia chuvoso, viu uma placa de armazém balançando anunciando o tema "Secos e Molhados". Isto lhe chamou a atenção, e antes mesmo do surgimento da banda, surgiu a ideia do nome e alguns outros conceitos que a consistiriam foram se formando. Eles passaram uma grande temporada em Crixás.

REFERÊNCIAS CULTURAIS
A canção "O Vira" é passada para frente de geração à geração, e até hoje, trinta anos depois do fim da formação original do grupo, é executada em rádios e programas de televisão.

Em 2003 foi lançado o disco "Assim Assado: Tributo aos Secos & Molhados", que contavam com versões das músicas do disco de 1973 na voz de outros artistas. Entre eles, Nando Reis, Arnaldo Antunes, Pitty, Tony Garrido, Ritchie e outros. (Texto: Wikipédia) 


FONTE COLHIDA PELO JORNAL GAZZETTA CULTURAL (atual GC News)