“UMA MENSAGEM, UMA VIDA:
COMO UMA DISCUSSÃO NO WHATSAPP MUDOU A VIDA DE UM EX-BISPO”
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| Foto: Arquivo Pessoal |
Rio de Janeiro (RJ) — Aos 62 anos, Roberto de
Avelar Coelho da Silva Azevedo vive uma situação difícil. Ex-bispo ortodoxo-livre
e atualmente Bispo-Missionário da Igreja Episcopal Filhos da Promessa, ele não
recebe salário de igreja e sempre precisou trabalhar para se sustentar.
Mas a vida dele mudou
depois de uma discussão em um grupo de WhatsApp com um bispo de Belo Horizonte,
ligado à Igreja Católica Carismática, do Pará.
“Foi apenas uma
discussão. Houve troca de palavras ofensivas porque eu questionei a forma como
aconteceu a eleição daquela diretoria da igreja e pedi prestações de conta”,
conta Roberto.
Depois disso, o bispo
Marcelo Fernandes Teodoro (de BH) entrou com um processo judicial contra ele.
Com isso, o nome de Roberto passou a aparecer em sites de consulta pública,
como o Jusbrasil, que divulga informações de processos da Justiça.
Segundo Roberto,
isso passou a prejudicar sua vida profissional.
“Você entrega
currículo, participa da entrevista e parece que está tudo certo. Mas quando
pesquisam seu nome no Google e veem que existe um processo, simplesmente deixam
de responder e a vaga de emprego não se concretiza”, lamenta.
Ele conta que
perdeu várias oportunidades de emprego. A mais dolorosa foi uma vaga de
porteiro noturno em uma empresa de ônibus de Maricá.
“Eu já tinha feito
até o exame admissional. Era um emprego bom, com salário e benefícios. Ia
ajudar muito minha vida, mas perdi a vaga por causa desse processo”, afirma.
Sem emprego fixo,
Roberto depende da Farmácia Popular para conseguir seus remédios. Mesmo
enfrentando dificuldades e dias de chuva, continua saindo para procurar
trabalho e alunos para cursos EaD, tentando garantir o sustento diário.
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| Foto: Arquivo Pessoal |
O ALERTA: CUIDADO COM O QUE É DITO NO WHATSAPP
A história de Roberto serve como alerta para
todas as pessoas que usam redes sociais e aplicativos de mensagens.
Muitas vezes, em
momentos de raiva ou emoção, as pessoas escrevem mensagens ou gravam áudios sem
pensar nas consequências. Porém, essas mensagens podem ser usadas como prova em
processos por ofensa, calúnia ou difamação.
“Uma simples
discussão pode acabar trazendo problemas sérios. Mesmo sem condenação, só o
fato de existir um processo já pode prejudicar a vida de alguém”, explica
Roberto.
Especialistas em direito digital afirmam que casos assim estão se tornando cada vez mais comuns no Brasil.
SEM DINHEIRO, MAS SEM PERDER A FÉ
Apesar das
dificuldades, Roberto diz que não quer viver como vítima.
Hoje, ele enfrenta
problemas de saúde, problemas financeiros e até dificuldades para comprar
alimentos, mas continua lutando para sobreviver.
“Mesmo com chuva,
preciso sair para buscar remédios e tentar conseguir trabalho. Não posso parar,
senão corro o risco de passar fome; e esse rapaz de BH achando que irá
conseguir arrancar algum dinheiro de mim”, diz.
A história dele
também levanta uma reflexão sobre a forma como muitas empresas julgam pessoas
que respondem a processos judiciais, mesmo quando não há condenação e o caso
não envolve crimes graves.
Mais do que uma história pessoal, o caso deixa uma
mensagem importante sobre empatia, responsabilidade nas redes sociais e cuidado
com as palavras.
Da
redação do GC News


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